Gostava de falar com as árvores
para lhes perguntar o que sentem
quando são vergastadas pelo vento que desce dos montes.
Ou com as estrelas do mar
a querer pairar serenamente na areia
mas fustigadas pelas ondas.
Quem sabe o que pensam as pedras roladas da ribeira
ou as mulheres nuas nas vitrinas.
Também não sei de nada dos musgos das oliveiras,
sempre à procura do ponto cardeal,
ou dos pássaros que querem voar até às estrelas.
E dos Homens cada vez sei menos,
sempre embrulhados de véus,
a acotovelarem-se
nos cruzamentos das ruas pardas.
P.V.
Mira de Aire, 14 de Abril de 2017