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sexta-feira, 14 de abril de 2017

Às Voltas

Gostava de falar com as árvores
para lhes perguntar o que sentem
quando são vergastadas pelo vento que desce dos montes.
Ou com as estrelas do mar
a querer pairar serenamente na areia mas fustigadas pelas ondas.
Quem sabe o que pensam as pedras roladas da ribeira
ou as mulheres nuas nas vitrinas.
Também não sei de nada dos musgos das oliveiras,
sempre à procura do ponto cardeal,
ou dos pássaros que querem voar até às estrelas.
E dos Homens cada vez sei menos,
sempre embrulhados de véus,
a acotovelarem-se nos cruzamentos das ruas pardas.

P.V.
Mira de Aire, 14 de Abril de 2017

domingo, 8 de janeiro de 2017

Sem sentido

Todos os dias acordo sem ti e é aí que os meus dias começam a perder o sentido. Depois todos os momentos de beijos fugazes, sem te perfurar a alma como desejo, deixam-me sem norte. Todas as noites em que me deito sem que me peças para te abraçar, sem olhar o teu rosto por breves momentos, para o gravar nos meus sonhos, faz-me pensar que é igual eu estar ou não estar ali. Sinto que os dias passam sem qualquer significado e que de um momento para o outro posso passar-me para o outro lado, Os problemas que vemos e que vão crescer e não diminuir deviam aproximar-nos mais e estão a afastar-nos. Nós devíamos estar acima dos problemas e não abaixo. Mas por muito que pense assim, não consigo nada sózinho.