O Meu Canal no Youtube

sexta-feira, 30 de julho de 2021




Quando os meus olhos ficam tristes,

e o rosto me fica salgado

ou ao contrário,

Sei exatamente o que penso:

Que não conto a idade,

para não contar

há quantos anos não te vejo.

Porque a última vez que estive contigo,

sei que idade tinha,

era um número redondo!

Quando encontro na rede

um dos motivos

por que me orgulho de ti,

não usas o meu nome,

porque não queres nada que te ligue,

a ninguém,

E eu sou todos e todos são eu.

Gostava que alguém te contasse,

que relato sempre com orgulho,

e muitas vezes,

que o meu primeiro filho, levei-o para o trabalho,

todos os dias

no seu primeiro ano.

Que o que és,

de mau mas também de bom,

está lá atrás, quando te sentava ao colo,

e mexias num teclado,

muito, talvez demasiado

cedo.

Não há nada no mundo

de que tenha temor,

exceto algo:

partir, sem repor o contador

do tempo,

de há quanto tempo não te vejo,

para quanto tempo poderei estar contigo.


terça-feira, 18 de agosto de 2020

Barco sem Rumo

Deixem uma pessoa sem propósito e têm uma barco sem rumo, ao sabor da corrente, que naufraga em cada tempestade.


Tudo o que temos é uma construção: tudo precisa de ser construído. Uma viagem precisa de ser construída. 

As pessoas, nesta época de sobrevivência constroem a sua viagem a solo, os seus objectivos antes dos demais. Tem sentido.

Para mim não! Para mim as pessoas têm que pensar, discutir, planear e sonhar em grupo ou em conjunto. 

Quanto maior as dificuldades mais têm que falar e não o contrário.

Mais têm que dar tempo aos outros e os ouvirem, mais têm que se encontrar.

Mas só vejo desencontros.

Ouço muitas pessoas e fico calado, escutando, sem nada dizer.

Parece que ninguém está de facto interessado no que os outros estão a sentir ou têm a dizer.

O mundo, tudo, está a mudar.

Vou aproveitar estes tempos de vazio para escrever, a forma que algumas pessoas têm de se fazerem ouvir, muito tempo depois de desaparecerem na tempestade.

domingo, 7 de julho de 2019

A Luz das estrelas

A luz das estrelas
chega cada vez
mais dificil
ao vazio
que se expande
cá dentro.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Como se pára no tempo?

Pára-se no tempo julgando que tudo pára, que os outros param e que nós próprios paramos. Para-se no tempo pois tudo começa a ficar mais nebuloso e incompreensível, pois nada parou, nós é que apenas não nos apercebemos disso.

Há muito tempo que não dizem que tenho olhos bonitos,
Há muito tempo que não dizes o que tenho de bonito.
Não é por fora decerto, mas por dentro,
como os outros parecem ver.
Será que vês?

Este canto é teu
E podia mostrar-te outros dez sítios
onde as minhas palavras se perdem,
onde ficam os meu humores
e pensamentos,
sem que ninguém os entenda.

Nem deste canto te lembras
onde fica.
Tens coisas importantes,
em que pensar.

Hoje disseste que tenho menos tempo que tu.
Como se fosse verdade,
como se não pusesse tudo e todo o meu tempo,
ao teu dispor,
ao contrário de ti.

Aprendi contigo uma distorção,
o afundar-me no trabalho, para esquecer,
tudo aquilo que não quero pensar.

E ando ao correr do teu tempo,
do que podes,
do que te apetece.

Há muito tempo,
foram as mudanças no trabalho,
e essa era a razão.
Hoje são as mudanças na família,
e essa é a razão.
Amanhã vão ser outras mudanças,
e essa será a razão.

O tempo não pára.

Hoje disseste que era teu,
coisa que não me atrevo a dizer,
pois ninguém é de ninguém.
As pessoas conquistam-se,
todos os dias,
E pagaram caro os que chegaram
a uma terra,
construíram um castelo,
e o viram ser conquistado por outros,
porque nada construíram à volta dele,
ou o deixaram cair em ruínas,
porque não se aperceberam de pequenas mudanças.

Consideram-me uma pessoa
com elevada capacidade de análise,
e inteligente.
Porque não usas essa capacidade de análise,
e te pegas às ideias que já estão feitas,
e que não deixam aos outros
dar a sua perspectiva,
tão verdadeira como a tua?

O que deixámos de fazer?
O que deixas todos os dias de fazer,
ou o que nunca fizeste?
O que é uma relação, como tentei mostrar e discutir há algum tempo,
sentados na cama,
lendo da Internet, para te  mostrar
que não era eu que pensava mas as coisas?
O que têm as pessoas de fazer para alimentar uma flor antes que seque?
Porque secam as flores?
O que é preciso mudar em nós para as flores não secarem?
Colocar-lhes água num acto mecânico, ou algo mais?
Porque gostam as tuas mãos da pele dos animais,
e não da minha?
Porque não posso esperar compromissos?
Porque não tens tempo para conversar,
para além de banalidades do dia-a-dia?
Ou porque não o queres?
Porque gostas de fazer o que te apetece?
Porque dizes que não mudas?
Porque não me dizes coisas concretas que gostas em mim?
Consegues vê-las?

Porque faço tantas perguntas?
Porque ser explorador e curioso é um defeito?
Porque estou sempre à procura de coisas novas,
e não me apego ao que tenho?

Porque me parece que cada vez menos posso contar contigo,
ou o que conto de ti me parece cada vez menos?

Porque as poucas palavras me parecem
que não chegam, pois parecem
não corresponder às acções?

Porque me parece não quereres concerteza ninguém,
que faça questões,
para além do banal,
ou que pensa ou sinta,
para além do normal,
um poeta, um filósofo, ou alguém
que dê lições a todos os que o rodeiam?

Porque não queres os meus pensamentos,
e as minhas lições,
que dou grátis,
aos que me são menos,
e que agradecem por isso.

Porque não dizes obrigado, a não ser de coisas materiais?
Porque pensas que uma palavra substitui todas as outras?
Porque preferes continuar a viver sózinha, como sempre fizeste,
em vez de comigo?
Porque sou mais um, como os outros,
que não merece mais que isso?

O que deixei de fazer?
Deste por ela?
Este canto abandonado há quase um ano?
Um grupo secreto no facebook,
abandonado também,
e construído para ti,
porque não me lias aqui?

Quando falas com alguém gostas que te respondam?
quando comunicas também?
Quantas formas de comunicação existem para além da oral,
que requerem importância e resposta?

É para não pensar nisto tudo,
que trabalho cada vez mais,
que não ligo à saúde, que já não escrevo,
apesar de uma amiga, há dias
ter ficado fascinada com as coisas que eu escrevia,
e mais quando lhe mostrei os meus 10 sítios onde escrevo?

O que não tens tempo de saber sobre mim?
Tens consciência que grande parte da realidade te passa ao lado?
Não te importas ou não te interessa?

Só te apercebes do que estás a perder quando o perdes de vez?
E como aconteceu no passado,
concluis que foi assim
e que não podias ter feito nada?
Ou estás disposta a pagar o preço,
por não ser capaz de  ver as coisas,
de outras formas?

Vou ficar à espera que tires um curso,
de ciências sociais,
para veres as pessoas de outra forma?
E agires de outra forma?

Talvez seja melhor encerrar este canto,
como aconteceu com os outros?
Porque encerrei os outros?

Vou ficar a aguardar mais algum tempo,
a ver como todos perto de ti ficam doentes,
ao fim de semana.
Tenho que fazer o mesmo para ter a tua atenção?
E ter alguma importância?






No correr dos dias

No correr dos dias
tenho fome de ti
dos teus braços
dos teus beijos
de deitar-me a teu lado
e olhar-te apenas.
No correr dos dias
enquanto corres neles
fica o tempo que passa
e os meus olhos
não são verdes.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Às Voltas

Gostava de falar com as árvores
para lhes perguntar o que sentem
quando são vergastadas pelo vento que desce dos montes.
Ou com as estrelas do mar
a querer pairar serenamente na areia mas fustigadas pelas ondas.
Quem sabe o que pensam as pedras roladas da ribeira
ou as mulheres nuas nas vitrinas.
Também não sei de nada dos musgos das oliveiras,
sempre à procura do ponto cardeal,
ou dos pássaros que querem voar até às estrelas.
E dos Homens cada vez sei menos,
sempre embrulhados de véus,
a acotovelarem-se nos cruzamentos das ruas pardas.

P.V.
Mira de Aire, 14 de Abril de 2017

domingo, 8 de janeiro de 2017

Sem sentido

Todos os dias acordo sem ti e é aí que os meus dias começam a perder o sentido. Depois todos os momentos de beijos fugazes, sem te perfurar a alma como desejo, deixam-me sem norte. Todas as noites em que me deito sem que me peças para te abraçar, sem olhar o teu rosto por breves momentos, para o gravar nos meus sonhos, faz-me pensar que é igual eu estar ou não estar ali. Sinto que os dias passam sem qualquer significado e que de um momento para o outro posso passar-me para o outro lado, Os problemas que vemos e que vão crescer e não diminuir deviam aproximar-nos mais e estão a afastar-nos. Nós devíamos estar acima dos problemas e não abaixo. Mas por muito que pense assim, não consigo nada sózinho.