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segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Como se pára no tempo?

Pára-se no tempo julgando que tudo pára, que os outros param e que nós próprios paramos. Para-se no tempo pois tudo começa a ficar mais nebuloso e incompreensível, pois nada parou, nós é que apenas não nos apercebemos disso.

Há muito tempo que não dizem que tenho olhos bonitos,
Há muito tempo que não dizes o que tenho de bonito.
Não é por fora decerto, mas por dentro,
como os outros parecem ver.
Será que vês?

Este canto é teu
E podia mostrar-te outros dez sítios
onde as minhas palavras se perdem,
onde ficam os meu humores
e pensamentos,
sem que ninguém os entenda.

Nem deste canto te lembras
onde fica.
Tens coisas importantes,
em que pensar.

Hoje disseste que tenho menos tempo que tu.
Como se fosse verdade,
como se não pusesse tudo e todo o meu tempo,
ao teu dispor,
ao contrário de ti.

Aprendi contigo uma distorção,
o afundar-me no trabalho, para esquecer,
tudo aquilo que não quero pensar.

E ando ao correr do teu tempo,
do que podes,
do que te apetece.

Há muito tempo,
foram as mudanças no trabalho,
e essa era a razão.
Hoje são as mudanças na família,
e essa é a razão.
Amanhã vão ser outras mudanças,
e essa será a razão.

O tempo não pára.

Hoje disseste que era teu,
coisa que não me atrevo a dizer,
pois ninguém é de ninguém.
As pessoas conquistam-se,
todos os dias,
E pagaram caro os que chegaram
a uma terra,
construíram um castelo,
e o viram ser conquistado por outros,
porque nada construíram à volta dele,
ou o deixaram cair em ruínas,
porque não se aperceberam de pequenas mudanças.

Consideram-me uma pessoa
com elevada capacidade de análise,
e inteligente.
Porque não usas essa capacidade de análise,
e te pegas às ideias que já estão feitas,
e que não deixam aos outros
dar a sua perspectiva,
tão verdadeira como a tua?

O que deixámos de fazer?
O que deixas todos os dias de fazer,
ou o que nunca fizeste?
O que é uma relação, como tentei mostrar e discutir há algum tempo,
sentados na cama,
lendo da Internet, para te  mostrar
que não era eu que pensava mas as coisas?
O que têm as pessoas de fazer para alimentar uma flor antes que seque?
Porque secam as flores?
O que é preciso mudar em nós para as flores não secarem?
Colocar-lhes água num acto mecânico, ou algo mais?
Porque gostam as tuas mãos da pele dos animais,
e não da minha?
Porque não posso esperar compromissos?
Porque não tens tempo para conversar,
para além de banalidades do dia-a-dia?
Ou porque não o queres?
Porque gostas de fazer o que te apetece?
Porque dizes que não mudas?
Porque não me dizes coisas concretas que gostas em mim?
Consegues vê-las?

Porque faço tantas perguntas?
Porque ser explorador e curioso é um defeito?
Porque estou sempre à procura de coisas novas,
e não me apego ao que tenho?

Porque me parece que cada vez menos posso contar contigo,
ou o que conto de ti me parece cada vez menos?

Porque as poucas palavras me parecem
que não chegam, pois parecem
não corresponder às acções?

Porque me parece não quereres concerteza ninguém,
que faça questões,
para além do banal,
ou que pensa ou sinta,
para além do normal,
um poeta, um filósofo, ou alguém
que dê lições a todos os que o rodeiam?

Porque não queres os meus pensamentos,
e as minhas lições,
que dou grátis,
aos que me são menos,
e que agradecem por isso.

Porque não dizes obrigado, a não ser de coisas materiais?
Porque pensas que uma palavra substitui todas as outras?
Porque preferes continuar a viver sózinha, como sempre fizeste,
em vez de comigo?
Porque sou mais um, como os outros,
que não merece mais que isso?

O que deixei de fazer?
Deste por ela?
Este canto abandonado há quase um ano?
Um grupo secreto no facebook,
abandonado também,
e construído para ti,
porque não me lias aqui?

Quando falas com alguém gostas que te respondam?
quando comunicas também?
Quantas formas de comunicação existem para além da oral,
que requerem importância e resposta?

É para não pensar nisto tudo,
que trabalho cada vez mais,
que não ligo à saúde, que já não escrevo,
apesar de uma amiga, há dias
ter ficado fascinada com as coisas que eu escrevia,
e mais quando lhe mostrei os meus 10 sítios onde escrevo?

O que não tens tempo de saber sobre mim?
Tens consciência que grande parte da realidade te passa ao lado?
Não te importas ou não te interessa?

Só te apercebes do que estás a perder quando o perdes de vez?
E como aconteceu no passado,
concluis que foi assim
e que não podias ter feito nada?
Ou estás disposta a pagar o preço,
por não ser capaz de  ver as coisas,
de outras formas?

Vou ficar à espera que tires um curso,
de ciências sociais,
para veres as pessoas de outra forma?
E agires de outra forma?

Talvez seja melhor encerrar este canto,
como aconteceu com os outros?
Porque encerrei os outros?

Vou ficar a aguardar mais algum tempo,
a ver como todos perto de ti ficam doentes,
ao fim de semana.
Tenho que fazer o mesmo para ter a tua atenção?
E ter alguma importância?






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